domingo, setembro 06, 2015

A pedido de várias famílias, amigos e inimigos, aqui fica uma parte da minha vida de artista.
Novela Portuguesa Vila Faia no papel de Canaveiro





Zeca Peres

terça-feira, dezembro 08, 2009

Para sentir o mundo



Cantando a gente inventa.

Cantando a gente inventa.
Inventa um romance, uma saudade, uma mentira...
Cantando a gente faz a história.
Foi gritando que eu aprendi a cantar.
Sem nenhum pudor, sem pecado.
Canto para espantar os demónios, para juntar os amigos.
Para sentir o mundo, para seduzir a vida.

Zeca Peres

segunda-feira, setembro 28, 2009

Prova de Português


Numa aula de Português houve uma prova de questões .
O Bom Samaritano.

Classifique os sujeitos das orações:
1- O sacerdote e o levita não socorreram o homem ferido.
Resposta:
O sacerdote e o levita são homens sem coração.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Saber Viver


Saber Viver


Não sei… Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura… Enquanto durar

Zeca Peres

quarta-feira, março 19, 2008


Será que quem espera sempre alcança?

Zeca peres

segunda-feira, outubro 08, 2007

Superstição


Numa sociedade em que a racionalidade e a objectividade imperam, são raras as pessoas que não alimentam uma ou mais crenças irracionais e superstições.
Superstição é uma crença irracional sobre a relação causal entre certas acções ou comportamentos e ocorrências posteriores a que se atribui um efeito.
A superstição é sempre de carácter defensivo.
Os sinais exteriores são os amuletos que se transformaram em adornos e jóias e vivem na elegância universal dos nossos dias.
Essa legítima defesa estende-se às zonas mais íntimas do raciocínio humano e age independente de sua acção e rumo.
As superstições, como os pecados, podem dar-se por pensamentos, palavras e actos.
Por exemplo:
Por pensamento – Fazer três pedidos quando se vê uma estrela cadente;
Por palavras – Dizer “O diabo seja surdo!” quando alguém se referir a uma desgraça acontecida a outra pessoa;
Por actos – levantar da cama com o pé direito para que o dia lhe seja benéfico.
Dá azar abrir um guarda-chuva dentro de casa, uma sexta-feira 13, um ano bissexto, cruzar-se com um gato preto, partir um espelho, sentar 13 pessoas à mesa…
A ideia da superstição é polivalente, pois existe a crença de que há sempre meios de anular a força positiva ou negativa de qualquer elemento.
Se isto acontecer, deve-se fazer aquilo para prevenir o mal, ou realizar certas práticas, ou trazer objectos especiais.
Para evitar o azar, convém bater na madeira ou fazer figas com a mão.
Daí o apelo a talismãs, amuletos, orações e todo um arsenal supersticioso, muitos dos quais servem não só para nos defender do azar ou mau-olhado, como para projectá-lo nos inimigos.
Embora as crenças populares sejam supersticiosos, tudo derivado do terror primitivo do sobrenatural, não se deve confundir superstição com crendice.
Por exemplo, acreditar em bruxas, almas penadas, fantasmas, não é superstição.
Superstição é quando uma pessoa atribui a certos factos, ou criaturas, animais ou coisas, poderes maléficos ou benéficos, dependendo de circunstâncias variáveis.
Ex.: ver um gato preto não tem importância, mas se ele correr na nossa direcção é que dá azar.
Bater na madeira e fazer figas livra-nos do azar.
Diferente ainda é o conceito de mania.
Mania é "uma excentricidade, extravagância, gosto exagerado ou imoderado por alguma coisa; obsessão, prática repetitiva.”
Mania de limpeza, de voltar para verificar se fechou bem a porta ou o gás, de contar objectos um certo número de vezes repetidas, questionar uma informação repetidamente para ver se está correcta, executar minuciosamente uma série de actos sempre pela mesma ordem, sem um fundamento específico.
A repetição dos gestos, realizados com uma determinação e premência que ultrapassa a vontade e o controle do indivíduo, numa rotina pré-programada e imutável, confere segurança e um aparente domínio da situação às pessoas mais ansiosas.
Todos temos manias inofensivas, as manias consideradas normais são aquelas que as pessoas praticam apenas por prazer.
A partir do momento em que passamos a ser dominados e perseguídos pela mania, sem conseguirmos resistir-lhe, então deixa de ser saudável e passa a ser um comportamento doentio.
Agora contem-me lá, quais as vossas superstições e manias?
Quantas coisas vocês fazem e não contam a ninguém?
Quantas manias vocês têm, normais ou exageradas?
Eu… superstições não tenho, a sério.
Sento 13 pessoas à mesa, cruzo-me com o meu gato preto todos os dias, paciência se parti um espelho, ignoro aquelas cadeias irritantes de mensagens estúpidas para enviar a x pessoas, não relaciono nada disso com azar.
Manias… desde pequeno que me lembro de roer as peles à volta das unhas, e faço-o sem dar conta, mesmo que procure evitá-lo.

Zeca Peres

terça-feira, maio 08, 2007

Abandonaste-me?


Não, só estou a respirar o mar!

Zeca Peres

sábado, dezembro 09, 2006

Elevadores



Elevadores... que invenção magnífica. É que para além de permitirem aos mais preguiçosos não mexerem os seus joelhos para subir umas escadas, são também tubos- proveta para se analisarem certos comportamentos sociais que, de outra forma, dificilmente se verificariam.
Agora que já disse algumas palavras mais finas, cheguemos ao cerne da questão (não consigo parar).
Reparei no outro dia algo que um amigo meu me referiu logo a seguir:
Num elevador, ninguém olha em frente.
Temos aqueles indivíduos que olham para o chão, como que numa tentativa de encontrar uma lente de contacto perdida.
Temos também aqueles que olham para cima, admirando aquelas grades de ventilação e lâmpadas fluorescentes que iluminam o espaço, olhando sempre com um olhar bastante crítico, semelhante áquele verificados por gente que não dintingue um Chardonnay de uma copo de vinagre, quando prova um vinho num restaurante fino.
Temos também aqueles que, numa tentativa de parecer mais discretos, lêem com um ar muito interessado aquelas placas nas paredes, cortesia da Otis, Thyssen e demais, como que numa tentativa de saber de cor a lotação e peso máximo da máquina.
Tudo isto acontece devido a duas situações.
Se alguém for sozinho no elevador com gente que desconhece, olhá-los nos olhos assume um carácter de desafio primitivo, quase animal, sendo quase um pedido para despir o casaco e iniciar já ali uma recriação de uma qualquer cena de Rocky.
Se, por outro lado, a pessoa em questão for acompanhada por amigos para o elevador já povoado, um olhar nos olhos do amigo traz inevitavelmente uma gargalhada incontrolável, como só acontece nas situações menos próprias. Assim, todo o contacto visual num elevador é sempre algo a evitar.
Temos também outro acontecimento num elevador:
O cerco.
Falo-vos daquela situação em que, estando já o elevador cheio quando se entra e, tendo tomado todos os presentes as suas posições junto às paredes, resta apenas um local de pousio:
O meio.
Quando alguém é forçado a ficar no meio, o desconforto de um elevador cresce exponencialmente, tanto numa tentativa de não virar as costas a ninguém, como o ridículo de estar a ser observado jocosamente por todos os presentes.
Assim, o pobre desgraçado parece ter entrado num filme do mítico Steven Segal, em que todos os vilões formam um círculo para tirar a rifa para atacarem à vez o herói.
É giro pensar nestas coisas e lanço aqui um apelo para que sugiram e pensem em estratégias para superar este desconforto.

Zeca Peres

domingo, outubro 01, 2006

As primeiras e únicas

Dois bilhetes para o terreiro do paço, s.f.f.
Quantos anos têm o miúdo?
6 Anos.
Se o levar ao colo não paga.
Obrigado.
É muito longe?
Estamos quase a chegar, vamos sair na próxima paragem.
Tem cuidado onde pões os pés, isto está escorregadio.
Pai, pai olha golfinhos.
Vamos lá para cima que se vê melhor.
Isto aqui é bem melhor.
Obrigado pelo passeio, pai.
Que é isto? Fiz algum mal para me levar duas bofetadas?
Nunca me tinha batido!?
As bofetadas que levas-te foi por duas razões.
Duas?
Uma por cuspires a outra por ter sido contra o vento.

Zeca Peres

quinta-feira, setembro 21, 2006

A VOLTA

Voltei,...
alforje vazio,
boca sedenta,
pés cansados e sangrentos,
e no olhar o brilho da saudade.
Voltei, amor...
Abraça-me!

Zeca Peres

terça-feira, agosto 29, 2006

Talvez


talvez esta espuma branca
além
venha falar das viagens
por fazer

talvez apenas se deixe
amar ao vento
num abraço de fervor

talvez seja apenas sal
excessivamente dor
que o rumor das águas
chorem em segredo

talvez só o labor sagrado
das marés
um excesso de vida
a esmorecer

talvez...
como a paixão que
nasce onda e desmaia
a nossos pés
na ânsia de se perder

Zeca Peres

quarta-feira, agosto 16, 2006

E tu?

Através dela
Vejo quem passa
Quem será?
O que fará?
Será padre?
Será criminoso?
Será feliz?
Para onde irá?
Fecho a janela
E tu?

Zeca Peres

terça-feira, agosto 15, 2006

O Som do Poço

Leva tempo
O som
Da pedra
Na água
Nada ouço
Apenas uma borboleta
Que sai da escuridão
Será este um poço
Que mágoa
A recordação de infância
Já não é o mesmo

Zeca Peres

sábado, agosto 12, 2006

(((((((((((((((((((( QUEM DERA ))))))))))))))))))))

Quem dera
Acordar
Quem dera
Levantar
Quem dera
Correr
Quem dera
Parar
Quem dera
Conhecer
Quem dera
Sorrir
Quem dera
Amar
Quem dera
Ser Feliz

Zeca Peres

segunda-feira, julho 10, 2006

Escrever todos os dias


Escreve-se escrevendo, e escrevendo aprende-se a escrever.
Escrever todos os dias faz assim todo o sentido.

Escreve-se para os outros, e daí a importância da publicação e do sucesso, mas escreve-se, antes de mais, porque não se pode deixar de escrever, porque a escrita é uma necessidade que precisa de ser satisfeita.

Confesso que tenho com a escrita um relacionamento difícil.
Talvez porque comecei a escrever aos cinquenta anos, talvez porque mais importante que escrever é, para mim, imaginar.
Umas vezes espero de mais da escrita, outras de menos.
No entretanto, ao não escrever, sinto-me mal.
Mas valia escrever todos os dias, sem nada esperar.
Escrever todos os dias.
Ora aí está uma boa ideia. Porquê?
Porque escrever faz-me bem, ou, dito de outra forma, evita que me sinta pior.

Zeca Peres